15/12/2009 - COP 15: Comunidades de florestas são vitais para luta climática

Florestas agem como os “pulmões” da atmosfera, absorvendo grandes quantidades das emissões de gases-estufa dos seres humanos.

Salvar florestas tropicais é vital para a luta contra a mudança climática, mas os esforços para deter o desmatamento podem ir para o espaço sem salvaguardas para compensar e indenizar as comunidades locais, disseram acadêmicos e autoridades no domingo.

Florestas agem como os “pulmões” da atmosfera, absorvendo grandes quantidades das emissões de gases-estufa dos seres humanos. Bilhões de pessoas também confiam nelas como fonte de alimento e de sustento.

Pagar aos países em desenvolvimento para preservarem suas florestas é uma questão central nas negociações sobre clima da ONU na capital dinamarquesa, que visam a assegurar os esboços de um acordo global mais rígido para conter as emissões de gases-estufa a partir de 2013. Reportagem de David Fogarty e Sunanda Creagh, da Agência Reuters.

“Florestas e questões climáticas nunca estiveram tão em alta na agenda política”, disse Gro Harlem Brundtland, enviada especial da ONU para a Mudança Climática, em uma reunião paralela às negociações.
Apesar disso, as florestas estão sendo destruídas a níveis alarmantes, sem uma diminuição no ritmo da destruição desde 1987, ela disse.

“Estamos no caminho de destruir uma área do tamanho da Índia até 2017&8243;, acrescentou.
Florestas tropicais da África equatoriana ao Brasil e à Indonésia contêm algumas das reservas mais ricas de carbono e espécies no mundo, mas estão sob crescente ameaça de gente que está atrás da sua madeira e da terra para cultivar alimentos para uma população humana crescente.
Grupos indígenas na vasta bacia amazônica e nas selvas da ilha de Bornéu temem perder mais de suas terras para pecuaristas ou para plantações de soja.

Delegados presentes nas negociações estão próximos de finalizar o esboço de um esquema financeiro apoiado pela ONU que iria permitir aos países em desenvolvimento ganharem compensação em carbono em troca de salvarem, resgatarem e melhorarem o gerenciamento de suas florestas.

O esquema poderia render às nações mais pobres bilhões de dólares anuais em vendas de compensação às nações ricas. Ele colocaria, pela primeira vez sob a ONU, um preço sobre o carbono que não foi emitido ao se manter as florestas de pé, com parte do dinheiro indo para as comunidades.

“Se os povos indígenas e nativos no mundo em desenvolvimento não forem reconhecidos e não tiverem garantidos seus direitos claros, teremos mais desmatamento”, disse Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana e Nobel da Economia de 2009.
Há um risco de expulsões de comunidades e corrupção nos esquemas de preservação a menos que salvaguardas sejam estabelecidas, disse ela.

EcoDebate

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