25/01/2010 - Para combater a pobreza é preciso ter crescimento econômico e geração de emprego.

Acontece que nos últimos duzentos anos de de-senvolvimento os países centrais conseguiram reduzir bastante a pobreza e avançar no bem-estar da população, mas com sérios danos ambientais. O desenvolvimento econômico transfiriu os custos de suas atividades para futuras gerações e o custo de limpar o Planeta se-rá enorme. A experiência mundial, tal com conhecemos, mostra uma oposição entre desenvolvimento (geração de emprego, renda e con-sumo) e a preservação do meio-ambiente.

Contudo, a equação entre desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza pode ser solucionada por meio da criação de novos e dife-rentes empregos, numa perspectiva de uma economia de baixo carbono e atividades verdes e limpas. Portanto, não é verdade que uma economia ecologicamente correta seja destruidora de empregos. Ao contrário, ao eliminar as atividades econômicas que agridem e destroem a natureza, abre-se a possibilidade de criar novas atividades harmonicas com a natureza e a geração de empregos compatíveis com o meio ambiente, os chamados “empregos verdes”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define empregos verdes como “postos de trabalho nos setores da agricultura, indústria, construção civil, instalação e manutenção, bem como em atividades científicas, técnicas, administrativas e de serviços que contribuem substancialmente para a preservação ou restauração da qualidade ambiental. Específica, mas não exclusivamente, eles incluem empregos que ajudam a proteger e restaurar ecossistemas e a biodiversidade; reduzem o consumo de energia, materiais e água por meio de estratégias de prevenção altamente eficazes; descarbonizam a economia; e minimizam ou evitam por completo a geração de todas as formas de resíduos e poluição” (OIT, 2009).

A OIT busca articular o conceito de ‘trabalho decente” com “emprego verde” analisando os pilares social, econômico e ambiental. A transição para uma economia ambientalmente sustentável depende sobretudo da adoção de novos padrões de consumo e de produção. A OIT (2009) sintetiza essas transformações do modelo vigente em torno de seis grandes eixos e leva em conta inclusive as particularidades da economia brasileira:

1.maximização da eficiência energética e substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis;

2.valorização, racionalização do uso e preservação dos recursos naturais e dos ativos ambientais;

3.aumento da durabilidade e reparabilidade dos produtos e instrumentos de produção;

4.redução da geração, recuperação e reciclagem de resíduos e materiais de todos os tipos;

5.prevenção e controle de riscos ambientais e da poluição visual, sonora, do ar, da água e do solo; e
6.diminuição dos deslocamentos espaciais de pessoas e cargas.

O Brasil é um país privilegiado do ponto de vista da extensão territorial e marítima e conta com ampla disponibilidade de terras, de ventos, de radiação solar, de marés e de biomassa. Ao fazer a transição da economia poluidora e que degrada o meio ambiente para uma economia verde e ecologicamente sustentável, o país poderá não só salvar a natureza, como eliminar a pobreza e a desigualdade, possibilitando que sua população conviva com um desenvolvimento humano e sustentável.

Referência:
Empregos verdes no Brasil : quantos são, onde estão e como evolui-rão nos próximos anos (OIT, 2009) http://www.oitbrasil.org.br/

Pathways Magazine – Fall 2009: Are Green Jobs a Silver Bullet?
http://stanford.edu/group/scspi-dev/media_magazines_pathways_fall_2009.html

Green Jobs: Towards Decent Work in a Sustainable, Low-Carbon World
http://www.ilo.org/global/What_we_do/Publications/Newreleases/lang–en/docName–WCMS_098503/index.htm

José Eustáquio Diniz Alves – Professor Titular
Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE
Mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais

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