06/02/2010 - O embuste dos transgênicos

Neste mês de fevereiro deve reunir-se a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A grande expectativa é quanto ao pedido de aprovação do LL62, nome técnico de um arroz transgênico da Bayer.

Se passar, esse grão será a primeira variedade de arroz geneticamente modificada a desfrutar de licença oficial para plantio comercial no Brasil (e no mundo). Pode ser a 20ª derrota consecutiva dos ambientalistas. Nos seus primeiros quatro anos de existência, a CTNBio liberou para plantio comercial duas variedades de soja, 11 de milho e seis de algodão.

Mas pode ser que desta vez a CTNBio recuse o prato feito da Bayer, já que uma pá de entidades técnicas (como a Embrapa e o Irga) e empresariais (como Farsul e Fedearroz) estão contra.

Para os técnicos, o cultivo de um arroz tolerante ao herbicida glufosinato de amônio pode transferir a mutação genética ao arroz vermelho, considerado o principal “invasor” da cultura do arroz irrigado. Com a contaminação, o arroz vermelho pode se tornar resistente ao controle químico.

Segundo a Embrapa, que tem uma posição genericamente favorável aos organismos geneticamente modificados (OGMs), o arroz transgênico pode ameaçar a segurança alimentar do Brasil. A estatal de pesquisa agropecuária ocupa cinco dos 27 assentos na CTNBio.

Criada em 2005 para “prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos OGMs”, a CTNBio tem se posicionado majoritariamente a favor das tecnologias transgênicas desenvolvidas pela Bayer, Basf, Cargill, Dow, Du Pont, Mon-santo, Pioneer e Syngenta, que dominam os segmentos de agroquímicos e sementes no Brasil e no mundo.
Alguns grãos transgênicos liberados no Brasil estão proibidos na Europa devido ao risco de intoxicação e alergias nos seres humanos que os consumirem. Advertências e recla-mações feitas no Brasil pela ANVISA e o IBAMA têm sido ignoradas pelo Conselho Nacional de Biossegurança.

Denúncias feitas por entidades ambientalistas indicam que o cultivo de transgênicos no Brasil está sendo feito sem regras de segurança. No Paraná já foi comprovada a contaminação de lavouras vizinhas a áreas sob cultivo de sementes transgênicas. Na prática, isso é feito de propósito para forçar os agricultores orgânicos a aderirem aos OGMs.

Um dos argumentos usados pelas empresas de biotecnologia é que os OGMs diminuiriam o uso de agrotóxicos. Muitos agricultores gaúchos compraram soja contrabandeada da Argentina, no final do século XX, convencidos de que teriam uma redução nos seus custos operacionais.

Enganaram-se.

Na realidade, o consumo de agrotóxicos continua aumentando. Em 2009, o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de produtos químicos para a agricultura, com 674 mil toneladas – um terço disso é representado pelo glifosato, o principal herbicida da soja. Diante disso, a leniência da CTNBio com os transgênicos é escandalosa.

LEMBRETE DE OCASIÃO
“As empresas gigantescas fizeram da America rural uma colônia delas.”
Barry Commoner, biólogo norte-americano nascido em 1917
(Fonte: Geraldo Hasse, SeculoDiario.com)

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